Encontro Técnico estabelece amplo panorama sobre gestão ambiental na indústria e define dinâmica às apresentações

quarta-feira, 30 de setembro de 2009 enviar


Organizar apresentações dirigidas aos requisitos do setor produtivo, contemplar variados enfoques dentro de um mesmo conceito e estruturar uma análise discursiva atual foram os objetivos da revista Meio Ambiente Industrial e a consultoria Interação Ambiental com o Encontro Técnico “Gestão Ambiental na Indústria”. Com realização da Ambientepress Comunicação Ambiental e apoio do CRQ – Conselho Regional de Química IV Região, o evento aconteceu no dia 15 de abril de 2009, na sede do conselho.

O evento teve uma tônica diferenciada ao que disse respeito à participação dos palestrantes. Quando um dos especialistas ministrava o conteúdo a que estava incumbido, o outro que apresentaria posteriormente o auxiliava em alguns pontos que, às vezes, fugiam de sua especialização e incitavam dúvidas. Segundo os organizadores, esta metodologia não foi planejada, mas deu-se, apenas, graças à interatividade entre especialistas e público.
Os congressistas, por sua vez, não se restringiram a assistir as apresentações e elaborarem perguntas no decorrer do evento, como também adicionaram conteúdo informativo às palestras, baseados em suas próprias experiências de campo.

Primeira a falar no Encontro, Ana Luiza Fávaro, diretora e responsável técnica da Acqua Consulting, contou sobre sua atuação profissional no gerenciamento de ETE’s – Estações de Tratamento de Efluentes. Para ela, um dos elementos que proporcionam efetividade à ETE é a análise detalhada de microorganismos.
De acordo com Ana, a Acqua Consulting se destaca no mercado por utilizar a microbiologia de lodos ativados. Um dos diferenciais da empresa é, também, prestar ensaios de toxicidade – uma tendência em São Paulo, segundo ela – que medem o nível tóxico de artigos utilizados em processos industriais. “Caracterizamos o efluente e definimos duas formas de tratamento: química ou biológica, levando em consideração o espaço e estrutura a qual está incluída a Estação”, explicou.

Conforme Ana, indústrias de papel e celulose são as que mais procuram o serviço. “Mas percebo que as empresas, de forma geral, têm buscado novidades tecnológicas para tratarem o efluente da melhor forma possível”.
A segunda palestra foi proferida por Ronald Teixeira Penteado, diretor de operações do Grupo Estre, abordando o tema “Resíduos Industriais”. Para ele, “todos nós somos responsáveis, direta ou indiretamente, pela disposição de resíduos”. Citou o aterro sanitário da Estre em São Paulo e todos os rigorosos critérios de implantação da obra. “Aterro sanitário é uma obra de engenharia e não um lixão. É preciso se desfazer o engano que a sociedade faz a respeito disso”, ressaltou.

De acordo com ele, para implantar um aterro sanitário, entre outros requisitos técnicos, é necessário se ter um solo argiloso, não arenoso e que não percole. Um dos pontos pouco previstos, segundo Penteado, são as vias de acesso ao aterro. “Precisa-se ter uma preocupação com a malha viária que conecta o aterro às estradas, para que não haja degradação ambiental com o derramamento de resíduos”.

Conforme ele, a construção do aterro passou pelo seguinte processo: 20 cm de argila e irrigação do solo, repetindo o processo continuamente, até preencher aproximadamente 5 m de altura, para se iniciar os serviços. “Uma das soluções para conferir durabilidade ao sistema de drenagem no aterro foi a troca de galerias de águas pluviais pela implantação de geomembrana de pead”, contou Penteado.

Em seguida, Flávio Augusto Ferlini Salles, da Água e Solo Consultoria Ambiental, teve como foco os Passivos Ambientais. “Passivo ambiental implica em investimento direto”, destacou inicialmente. Para ele, não se deve considerar o problema como um fator isolado e, sim, incluí-lo em um sistema de gestão ambiental estruturado.
Segundo Salles, a conservação do solo é fator imprescindível para se ter água própria ao consumo humano. “É preciso saber que 1/3 da água do planeta é subterrânea. Mesmo em aqüíferos freáticos confinados, há a possibilidade de contaminação”, alertou. “Por isso não se pode construir aterros ou indústrias nas imediações de aqüíferos, como o Guarani, por exemplo”.

Conforme citou, no último levantamento da Cetesb, o Brasil possuía 2.514 áreas de solo contaminadas. A penúltima palestra do Encontro foi apresentada por Wai Nan Chan, presidente da A&WMA – Air & Waste Management Association – Seção Brasil, contemplando as Emissões Atmosféricas como um dos elementos prioritários à gestão ambiental.

Segundo ele, os estudos envolvendo a temática ambiental passaram por três grandes fases distintas: em 1980, com ênfase em efluentes hídricos; 1990, estudos sobre resíduos sólidos; e a partir dos anos 2000 concentrou-se a atenção em pesquisas a respeito das emissões atmosféricas. “De acordo com o IPCC, se a humanidade parasse totalmente de emitir gases do efeito estufa, por todos os meios, ainda haveria um efeito inercial que duraria pelos próximos 100 anos”, ressaltou.

Chan enumerou os gases com maior potencial contaminante da troposfera. Para ele, o monóxido de carbono, material particulado, dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio, compostos orgânicos voláteis, bem como o ozônio são os protagonistas ao que tange a poluição atmosférica.

“Esses efeitos de poluição refletem em nossas vidas em níveis regionais, locais e globais”, considerou. De acordo com o presidente, a redução da camada de ozônio e mudanças climáticas personificam as ocorrências gerais decorrentes da poluição. Em um parâmetro mais restritivo, citou as chuvas ácidas, redução da visibilidade e danos à fauna e flora.

Fernando Altino, sócio consultor da Interação Ambiental, fechou o Encontro Técnico com uma visão geral da Gestão Ambiental, citando a evolução na discussão de gerenciamento e normas ambientais conjuntamente com alguns fatores determinantes, como o aumento da população mundial, aumento da produção industrial, urbanização acelerada e acidentes ambientais.

Para ele, “os custos com mitigação e indenização pelos acidentes e demais ocorrências ambientais mostraram-se altos nos últimos anos e as pressões sociais aumentaram muito”. Segundo Altino, esses elementos tornaram as ações ambientais primordiais em uma gestão corporativa.


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