Estratégia, Licenciamento Ambiental e Sustentabilidade Empresarial

Muito se fala hoje em dia acerca da importância da sustentabilidade como elemento essencial da estratégia de negócios das organizações. Diz-se que o sucesso ou o fracasso de uma organização será determinado diretamente pelo modo como a empresa integra à sua estratégia as tendências, riscos e oportunidades associados à sustentabilidade. Sendo assim, ela deve ser abordada, implementada e gerenciada desde a concepção e o planejamento de todo negócio, organização ou empreendimento.
A primeira etapa de desenvolvimento de qualquer empreendimento é justamente o seu processo de licenciamento, seja em âmbito municipal, estadual ou federal. A sustentabilidade portanto, deve pautar a gestão e operação de qualquer negócio desde esse momento, tendo como perspectiva a sustentabilidade da organização como um ente único e perene ao longo do tempo.
Nesse contexto, há dois aspectos fundamentais na relação entre o planejamento estratégico das organizações, o processo de licenciamento ambiental e a promoção da sustentabilidade empresarial: o papel dos órgãos ambientais competentes pelo licenciamento na promoção da sustentabilidade empresarial e do desenvolvimento sustentável, e a importância do trabalho conjunto e integrado dos diversos profissionais das áreas de meio ambiente, de sistemas de gestão e de sustentabilidade dentro de uma organização.
Negócios
Em primeiro lugar, é imprescindível que os órgãos ambientais competentes pelo licenciamento de atividades utilizem todas suas prerrogativas de comando e controle para assumir sua responsabilidade perante a promoção da sustentabilidade nas organizações e empreendimentos que licenciam. Como exemplo, pode-se citar a relevância do estabelecimento, por parte do órgão licenciador, de condicionantes às licenças prévia, de instalação e de operação, como uma abordagem muito oportuna de orientação e direcionamento dos esforços de gestão das organizações no sentido da incorporação da gestão da sustentabilidade à gestão operacional de um empreendimento, o qual tem sua licença expedida, porém condicionada ao cumprimento de determinados requisitos.
Será somente através deste nível profundo de envolvimento e detalhamento para com o processo de licenciamento que os órgãos licenciadores estarão cumprindo com sua missão e de fato trabalhando estrategicamente com vistas à promoção do desenvolvimento sustentável nos contextos local e regional.
Em segundo lugar, é importante que se desfaça a desconexão abissal que vem se criando dentro da estrutura das organizações entre os profissionais que trabalham nos processos de licenciamento ambiental, em gerenciamento de sistemas de gestão, e em gestão corporativa da sustentabilidade. A despeito do elevado grau de especialização dos profissionais dessas áreas que, de fato, possuem conhecimentos muito diferenciados e particulares, e que realmente atuam em instâncias e momentos diferentes dentro da organização, não faz sentido para nenhuma organização que essas expertises não sejam compartilhadas e gerenciadas de maneira homogênea e integrada, no contexto de uma estratégia para a sustentabilidade.
Ideias Sustentáveis
Dessa forma, torna-se necessário que os profissionais da área do licenciamento ambiental entendam a importância de sua atuação num contexto mais abrangente e estratégico para as organizações, contribuindo para transformar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu respectivo levantamento de aspectos e impactos ambientais em instrumentos de gestão corporativa de riscos socioambientais – os quais podem ser gerenciados por meio de um dashboard específico, de acesso, alimentação e operação comuns pelas equipes de licenciamento, de sistemas de gestão, de sustentabilidade, jurídica e de gestão de riscos e compliance da organização, por exemplo.
É essencial também que os profissionais responsáveis pelo gerenciamento de sistemas de gestão reconheçam a importância, inclusive econômica, da melhoria contínua, da gestão da ecoeficiência e da análise do ciclo de vida de produtos e serviços, mensurando e monitorando o desempenho dos diversos processos ao longo de toda a cadeia de valor, contribuindo assim para a redução e otimização dos custos operacionais e logísticos.
Em contrapartida, os profissionais da área da gestão corporativa da sustentabilidade devem assumir seus papéis como elementos essenciais na cadeia de gestão e operação das organizações, colocando as funções estratégicas, gerenciais e operacionais de rotina no mesmo patamar de relevância que os trabalhos de compilação e reporte periódico de informações ou de engajamento com stakeholders, por exemplo.
Fica aqui, portanto, o convite para que tanto os órgãos licenciadores quanto os diversos profissionais da área de licenciamento, meio ambiente, gestão e sustentabilidade das organizações reconheçam e assumam de fato a importância de seus papeis para a efetiva promoção da sustentabilidade e consequentemente para uma gestão mais consistente e abrangente dos negócios e das organizações.

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